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Uma análise profunda à economia portuguesa

Os primeiros meses de 2015 confirmaram a tendência de recuperação e inversão de tendência já observada em 2014 nos principais indicadores macroeconómicos.

Como ponto de partida, e à semelhança dos processos de diagnóstico e definição estratégica nas empresas, a IGNIOS identificou as oportunidades e ameaças neste novo ciclo económico, assim como as vantagens competitivas e vulnerabilidades que potencialmente irão alavancar ou condicionar a atual tendência de recuperação da economia nacional.

Num cenário em que a economia tem dado sinais de recuperação, quais são então as variáveis com maior impacto na geração de valor? De acordo com a análise da IGNIOS, a resposta não está na procura interna mas nas exportações, que já em 2014 justificaram 85% da variação do Produto Interno Bruto (PIB). Esta contribuição foi ainda mais significativa no primeiro trimestre de 2015.

O contínuo crescimento das exportações, com aumento da quota das empresas portuguesas nas importações mundiais, é o primeiro grande tópico em análise na próxima semana. Os principais indicadores serão complementados com um olhar sobre os principais setores onde as empresas portuguesas se têm destacado.

Mas o contributo das exportações não se limita ao impacto na evolução positiva do PIB. As sociedades não financeiras, por via do aumento do seu volume de negócios em mercados externos, deram um suporte determinante para a economia portuguesa resistir à profunda desvalorização do seu mercado interno.

Os graves problemas de necessidades de financiamento da economia foram suavizados com o aumento das exportações, que permitiram às sociedades não financeiras passarem a ter capacidades de financiamento, com as empresas exportadoras a terem cada vez maior peso nos financiamentos (14,5% em no final de 2009, 19,4% no final de 2014) e a manifestarem um risco muito menor em relação às empresas não exportadoras (peso de créditos vencidos de 2,4% no final de 2012 e de 3,3% no final de 2014 em contraste com o total das sociedades com 4,6% em 2010, 10,6% em 2012, 13,4% em 2013 e 15% no final de 2014.

Com o aumento da sua taxa de exportações, com diminuição da dependência da procura interna, as sociedades não financeiras criaram e acumularam mais valor e dinheiro, aumentaram a produtividade e diminuíram o seu risco estratégico; aumentaram a rendibilidade económica apesar de aumentarem o risco económico; aumentaram a rendibilidade financeira, apesar de aumentarem o seu risco financeiro; diminuíram o seu risco de tesouraria; em síntese, melhoraram a sua relação rendibilidade versus risco.

A continuidade desta tendência de crescimento e de reforço de competitividade da economia portuguesa, sobretudo considerando a previsível manutenção das restrições na procura interna, acentuam a necessidade de as empresas nacionais apostarem nos mercados externos e internacionalização das suas operações. Nos próximos anos, os diferentes sistemas de incentivos disponíveis no âmbito do Portugal 2020 serão um instrumento determinante neste processo que, além do necessário apoio ao investimento, têm como objetivo a maior capacitação e qualificação das empresas nacionais - uma base fundamental do crescimento sustentável.

Diário Económico 02/09/2015