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Seguro de crédito prevê cobertura contra riscos de natureza política

O seguro de crédito permite às empresas proteger a sua tesouraria, através do controlo do risco dos seus clientes e do recebimento de indemnizações, se as empresas clientes vierem a entrar em situação de insolvência, de facto ou de direito. “Quando é contratada a cobertura contra riscos de natureza política, a proteção conferida alarga-se ainda aos casos em que o não pagamento dos créditos comerciais concedidos a clientes estabelecidos fora de Portugal tem origem em factos de natureza política, como a verificação de dificuldades na transferência dos montantes depositados pelos clientes localmente”, destaca a Associação Portuguesa de Seguradores (APS).

A contratação do seguro de créditos é, pois, num clima de incerteza económica, uma ferramenta que ajuda a conhecer melhor os clientes e a acompanhar a sua evolução, permitindo ainda repor a tesouraria em caso de não pagamento motivado por facto gerador de risco de crédito coberto pela apólice emitida.

O seguro de crédito, que surgiu em Portugal com vista a apoiar as exportações, tem mantido ao longo dos anos um papel muito significativo neste domínio. Na verdade, destaca a APS, a análise e o acompanhamento do risco efetuada pelas seguradoras é especialmente importante relativamente a novos clientes, estabelecidos em mercados por vezes distantes. Os principais operadores atualmente presentes no mercado português dispõem, através dos grupos empresariais em que estão integrados ou com quem mantêm ligações, de acesso a bases de dados que permitem uma identificação rápida das empresas situadas nesses mercados e uma análise de risco qualificada, integrada no acompanhamento dos próprios mercados. E, no caso de verificação do não pagamento dos créditos comerciais concedidos a estes clientes, o seguro proporcionará, para além do pagamento da indemnização que for devida, apoio na recuperação dos créditos, especialmente importante nos mercados externos. A existência do seguro de créditos é ainda valorizada na negociação das condições de financiamento das operações, havendo uma colaboração estreita entre as seguradoras e as instituições financeiras com vista a potenciar essa valorização.

O seguro de crédito utiliza na análise e acompanhamento do risco de crédito bases de dados que incluem informação financeira, designadamente a constante na IES (Informação Empresarial Simplificada), outros dados a que as seguradoras têm acesso, nos termos legais, como a informação proveniente da Central de Risco de Crédito do Banco de Portugal, para além da que resulta da própria atividade da seguradora, sobre atrasos nos pagamentos e sinistros, e da informação pública, designadamente ações judiciais. 

Com base em todas estas informações, as seguradoras decidem se aceitam ou não cobrir o risco de crédito sobre as empresas e se aceitam manter a cobertura anteriormente concedida, aumentá-la ou reduzi-la.

Vida Económica, 08/07/2016