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Saiba como financiar a internacionalização da sua empresa

Quer apostar em mercados externos? Conheça os principais apoios para apostar na internacionalização.

A par de todas as questões que devem ser ponderadas num processo de internacionalização da sua empresa – mercados alvo, forma de investimento, parceiros de negócio no destino, entre muitas outras – o tipo de financiamento utilizado é um dos temas que ganha maior destaque. Desde logo porque as empresas precisam de ter fôlego financeiro para investir e não “dar um passo maior do que a perna”, quando decidem aventurar-se em mercados externos.

Tendo em conta que muitas empresas, sobretudo PME, ainda desconhecem que tipo de ajudas existem para quem quer internacionalizar os seus negócios, a AICEP criou o “Guia Prático – Apoios Financeiros à Internacionalização” com o objetivo de informar as empresas sobre os instrumentos e ferramentas de financiamento ao seu dispor, assim como incentivos à promoção externa dos seus produtos e serviços. Conheça alguns dos principais apoios à internacionalização destacados pela AICEP.

 
1. Linhas de Crédito
 

  • Linha de Crédito PME Crescimento 2014

Este ano foi lançada uma nova linha de crédito com um montante total disponível na ordem dos 2.000 milhões de euros para apoiar o crescimento das PME ao longo dos próximos 10 anos. A linha PME Crescimento 2014 foi negociada e contratualizada com 21 instituições financeiras portuguesas, entre as quais a Caixa Geral de Depósitos, e está dividida em quatro eixos estratégicos de 500 milhões de euros: micro e pequenas empresas; fundo de maneio; investimento; e exportações. Para beneficiarem desta última Linha de Crédito Comercial a Exportadoras, as empresas devem exportar pelo menos 10% do seu volume de negócios, ou acima dos 150 mil euros, entre outras condições de acesso. As operações elegíveis devem destinar-se exclusivamente ao “financiamento das necessidades de tesouraria relativamente a operações comerciais que impliquem necessidades temporárias de acréscimo de fundo de maneio”. As operações de crédito no âmbito desta linha beneficiam de uma garantia até 55% do limite disponibilizado. A linha tem a validade de 12 meses, até março de 2015.
 

  • Linha de Crédito Investe QREN

Esta linha é dirigida a empresas com projetos de investimento aprovados no âmbito dos Sistemas de Incentivos do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) e é constituída por um montante global de 1.000 milhões de euros em fundos, dos quais 500 milhões provêm do contrato de empréstimo celebrado entre o Governo e o Banco Europeu de Investimento (BEI), e os restantes 500 milhões dos bancos aderentes. O prazo máximo de financiamento é de oito anos, com dois anos de carência de capital. O valor máximo de financiamento concedido, a título de empréstimo, para cada projeto de investimento, é de quatro milhões de euros. A empresa deverá contribuir com capitais próprios no valor de pelo menos 10% do investimento global.
 

  • Créditos ao Importador para Apoio à Exportação Portuguesa / CGD

Através do financiamento via modalidade “Crédito ao Importador”, este instrumento financeiro tem como objetivo aumentar as exportações portuguesas para mercados emergentes e países em vias de desenvolvimento (Brasil, Rússia, Índia e China, entre outros), e os financiamentos aos importadores locais são de médio ou longo prazo. O montante de financiamento pode ir até 85% do valor do contrato comercial a celebrar entre o exportador (empresa portuguesa) e o importador, a que se soma 100% do valor do prémio de seguro da Companhia de Seguro de Créditos. O prazo pode ir até aos 10 anos.

 
2. Seguros de Créditos

Um seguro de créditos permite cobrir o risco de não-pagamento das vendas a crédito de bens e serviços, sobretudo no estrangeiro e para empresas que queiram apostar na internacionalização. Além da oferta das várias seguradoras, existem também linhas de seguros de crédito com garantia do Estado. De acordo com a ficha de informação da AICEP, este apoio traduz-se na emissão de uma apólice de seguro de créditos mediante a qual o exportador português poderá cobrir os riscos associados à empresa importadora ou ao país de importação. Os créditos abrangidos podem ser de curto, médio ou longo prazo. A percentagem de cobertura pode ir até 90% do crédito garantido no mercado externo, em função do país. A COSEC tem também disponíveis seguros de créditos à exportação com garantia do estado e seguros de investimento português no estrangeiro. No âmbito dos seguros de crédito, a AICEP destaca ainda a Convenção Portugal-Angola (no valor de mil milhões de euros) e a linha de seguro de créditos à exportação para países fora da OCDE.

 
3. Garantia Mútua

Enquanto instrumento financeiro de apoio à internacionalização, a Garantia Mútua é um sistema privado, com cariz mutualista, de apoio às PME que visa facilitar o seu acesso ao financiamento. Traduz-se na prestação de garantias que facilitam a obtenção de crédito em condições adequadas às necessidades de investimento e ciclo de atividade. As garantias podem visar empréstimos, garantias financeiras, garantias técnicas, garantias ao Estado, garantias a sistemas de incentivo e a operações especiais de crédito e prestação de apoio especializado. Neste caso, as empresas beneficiárias das garantias são obrigatoriamente acionistas das Sociedades de Garantia Mútua: Lisgarante, Norgarante, Garval, Agrogarante e Fundo de Contragarantia Mútuo. Os montantes garantidos podem ir até ao máximo de 75% do financiamento, sendo o mais frequente, 50% do valor das operações.

 
4. Capital de Risco

Por ser uma fonte alternativa de financiamento para empresas, o recurso ao capital de risco pode também ser utilizado na internacionalização. O capital de risco traduz-se no reforço da estrutura financeira das empresas através da participação temporária e minoritária de uma Sociedade de Capital de Risco ou de um dos Fundos de Capital de Risco por ela geridos no capital das empresas, via subscrição de um aumento de capital ou aquisição de participação. Por norma, o capital de risco é um investimento de curto ou médio prazo no capital da empresa. Trata-se sempre de um investimento temporário, terminando com a venda da participação (ao valor do mercado) quando for atingida a estabilidade necessária ao bom desenvolvimento da empresa, o que geralmente acontece entre cinco a sete anos após a tomada de participação, de acordo com a AICEP.

 
5. Sociedade para o Financiamento do Desenvolvimento (SOFID)

Detida maioritariamente pelo Estado português, a Sociedade para o Financiamento do Desenvolvimento (SOFID) assume-se como uma European Development Financial Institution e é o interlocutor privilegiado na conceção, acesso e gestão de apoios comunitários dirigidos aos países de África, Caraíbas e Pacífico. Enquanto instituição financeira de crédito, a SOFID funciona como um ‘banco corporate’ e está vocacionado para o financiamento de projetos de investimento direto português em países emergentes e países em vias de desenvolvimento (PALOP, países da CPLP, Marrocos, Argélia e Tunísia, China e Índia, África do Sul e Venezuela). A SOFID disponibiliza produtos e serviços financeiros como empréstimos, garantias e participações de capital.

 
6. Portugal 2020

Com os concursos para o Quadro de Referência Estratégico Nacional 2007-2013 (QREN) já encerrados, a AICEP informa que se aguarda ainda a entrada em vigor do novo Quadro Comunitário e a publicação dos respetivos instrumentos de apoio, que se espera que aconteça até ao final de 2014. O novo quadro de programação denominado Portugal 2020 assenta em quatro eixos fundamentais, sendo o eixo da Competitividade e Internacionalização o que ganha mais destaque e concentra a maior fatia dos fundos, com uma dotação financeira de 4,4 mil milhões de euros, num total de 25 mil milhões de euros. As candidaturas serão feitas ‘online’ através do Balcão 2020.

Saldo Positivo, 29/10/2014