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Quanto custam os desastres naturais

Segundo um relatório da Agência Oceânica e Atmosférica (NOAA na sigla em inglês) publicado em janeiro deste ano foram vários os desastres naturais que provocaram custos que ultrapassaram mil milhões de dólares (834,7 milhões de euros).

Esta entidade recorda que o anterior recorde registou-se em 2005 quando tinham sido atingidas perdas de 215 mil milhões de dólares, principalmente devido aos furacões Katrina, Wilma e Rita.

O furacão Harvey provocou precipitação de 1,27 metros no Texas levando a custos estimados em 125 mil milhões de dólares, tornando-se o segundo sinistro natural mais caro depois do furacão Katrina em 2005.

O Maria, que devastou Porto Rico, provocou 90 mil milhões de dólares de perdas, segundo os dados da NOAA, enquanto o Irma, que atingiu as Caraíbas e a Florida, provocou gastos de 50 mil milhões.

O furacão Maria está em terceiro lugar na lista das catástrofes naturais que representam mais custos nos EUA e o Irma fica no quinto lugar.
Também um ‘paper’ publicado em 2012 pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) notava que os custos médios anuais dos desastres naturais aumentaram de 20 mil milhões de dólares nos anos 90 para 100 mil milhões entre 2000 e 2010. “É esperado que esta tendência ascendente continue, como resultado de uma maior concentração de pessoas em zonas mais expostas a desastres naturais e às alterações climáticas”, pode ler-se no documento.

“Os desastres naturais levam a um crescimento económico mais baixo e a uma deterioração do saldo orçamental e da balança externa. Podem também ter um impacto significativo na pobreza e nos apoios sociais. Os países em desenvolvimento, e as suas populações mais vulneráveis, estão especialmente em risco”, escrevia o FMI no estudo, citado há alguns parágrafos.

A NASA aponta estas mesmas causas. Segundo o Observatório da Terra, os desastres estão a provocar mais estragos, porque as populações vão construindo infra-estruturas mais caras em áreas mais suscetíveis a esse tipo de acontecimentos, seja regiões costeiras, zonas florestais com elevado risco de incêndio, encostas de montanha e perto de rios.

“Por exemplo, quando uma zona de árvores se transforma numa área residencial ou em escritórios, o terreno muda de esponjoso e capaz de absorver água para um pavimento impermeável.”

Jornal Económico, 13/10/2018