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Outsourcing de recuperação de dívidas é ou não vantajoso

Empresas que, em geral, optam por “externalizar” a recuperação de créditos vencidos contam quais são as suas vantagens e como funciona essa área.

Quais são as vantagens de mandar para fora a recuperação de créditos vencidos? Algumas empresas que participaram no 6º Congresso Nacional de Crédito, que decorreu em Lisboa na semana passada e que reuniu especialistas, empresas de gestão e recuperação de créditos e responsáveis por departamentos internos, disseram o que pensam sobre o ‘outsourcing’ desta área tão vital para as empresas. O Diário Económico reuniu alguns testemunhos.


CETELEM

Parcerias que potenciam a troca de boas práticas.

A Cetelem recorre ao ‘outsourcing’ na recuperação de créditos amigável mas também no tratamento contencioso. José Pedro Pinto, COO, explicou que a empresa passou “de uma prestação de serviços” para uma “relação de parceiro de negócio”, que traz vantagens como a troca de boas práticas e o ‘benchmarking’, havendo ainda uma “competição saudável” entre as equipas externas e internas. “É uma relação ‘win-win’ em que todos ganhamos”.


EDP

Maioria da actividade de recuperação é feita em ‘outsourcing’.

A maior parte da actividade de recuperação de dívidas à EDP já está externalizada. “Hoje, temos uma pequena equipa interna que acompanha as actividades e adapta procedimentos, ‘timeline’, emails, SMS. Alguns são automáticos, outros são externalizados”, conta Mónica Abreu, da Direcção de Recuperação da EDP.


MILLENNIUM BCP

Agir antes que seja tarde demais.

A abordagem ao devedor está a mudar, e as empresas externas podem ser um complemento no trabalho de recuperar créditos, garante María de los Angélez Sanchéz, da Direcção de Recuperação de Crédito do Millennium bcp. A responsável explica que “as insolvências particulares duplicam todos os anos” e que isso limita em muito a recuperação de créditos vencidos, pois o banco tem de recuperar antes da insolvência.


CGD

‘Outsourcing’ depende do segmento.

A recuperação de dívidas em contencioso é a parte que a Caixa Geral de Depósitos tem externalizada. Raul de Almeida, da Direcção de Recuperação de Crédito da CGD, afirma no entanto que o maior banco
português está a considerar aumentar a utilização de serviços em ‘outsourcing’ neste campo.
Carlos Coelho dos Santos, director do Departamento Jurídico e Contencioso da Caixa Leasing e Factoring, noutro painel referiu mesmo que a externalização pode fazer sentido de acordo com o segmento em questão. “No crédito ao consumo, deve ser uma opção a partir do “dia D+1”, afirmou, referindo que criar estruturas internas para recuperar créditos se torna “muito pesado” para a empresa. Para ter um bom contrato de externalização de serviços externos, Carlos Coelho dos Santos defende que o nível de serviços deve estar muito bem definido e que deve existir, entre empresa contratada e quem contrata, muita interactividade e partilha de riscos e benefícios. No caso concreto dos contratos da Caixa Leasing e Factoring com empresas de recuperação de créditos, Carlos Coelho dos Santos refere que são sempre negociados objectivos e que as estratégias são adequadas em função das necessidades.


BANCO POPULAR

Contencioso é externalizado.

A cobrança é, em alguns dos segmentos, feita por equipas internas. É o caso do crédito a empresas. Na fase do contencioso, a recuperação de créditos é externalizada, sendo a “ponte” feita com colaboradores internos.
Quando se está a tratar de créditos com pouca antiguidade, a recuperação começa também por ser feita a partir de ‘call centers’ externos.


VOLKSWAGEN BANK

Rapidez na recuperação é essencial.

Miguel Anjos, ‘head of credit’ do Volkswagen Bank, não tem dúvidas em dizer que apesar do ‘outsourcing’ ser muito importante na recuperação, isso não quer dizer que a sua gestão seja feita também externamente ao banco.

“A própria agência, ao contactar com o devedor, deve ser identificada como sendo o próprio banco”, afirma. Fazer ‘outsourcing’ não significa, no entanto, “perder o controlo”, defende. A fase inicial é fundamental para a recuperação de créditos, acredita. “Quanto mais rápido recuperarmos, mais certezas temos de recuperar”.

Diário Económico 04/06/2015