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O peso das PME no aumento das exportações portuguesas

As Exportações de bens não energéticos e de serviços de viagens e turismo foram os grandes responsáveis pelo aumento da criação de valor em Portugal em 2014.

As Exportações de bens não energéticos e de serviços de viagens e turismo foram os grandes responsáveis pelo aumento da criação de valor em Portugal em 2014.

As exportações foram determinantes e decisivas para o ligeiro crescimento do PIB, e não a Procura Interna.
Os grandes grupos e empresas que investiram em estrutura em Portugal, como a Autoeuropa, a Portucel, a Galp Energia, a Ikea ou a TAP, entre outros, têm limites no seu contributo para a satisfação da Procura Externa.

E são as PME que têm um importante contributo no aumento das exportações para um nível histórico em 2014 (69.161 milhões de euros) e para o aumento da criação de valor.

Em 2013, foram as pequenas e micro empresas, com volumes de negócios superiores a 500 mil euros e inferiores ou iguais a 10 milhões de euros, que tiveram um maior crescimento relativo das exportações (10,8%), superior ao das grandes empresas com volume de negócios de mais de 50 milhões de euros (crescimento relativo de 9,6%).

Se retirarmos o aumento das exportações dos produtos refinados de petróleo da Galp, de 921 milhões de euros, ao aumento total das exportações das grandes empresas, o aumento remanescente de 2.158 milhões de euros (7,5%), torna-se assim menos signifi cativo que o incremento das vendas ao exterior das PME com volume de negócios superior a 500 mil euros. Na verdade, as exportações destas PME cresceram 8%, ou seja, 1.861 milhões de euros.

As exportações têm um imenso potencial de crescimento se Portugal melhorar os factores de desenvolvimento. Factores que passam por um meio ambiente envolvente mais favorável em termos de valor e de risco e favorável ao aumento das sinergias entre as dimensões internas e externas entre diferentes actividades económicas. O Turismo é disso um óptimo exemplo.

A partir dos dados de 2014 do Instituto Nacional de Estatística (INE), verificamos que as componentes determinantes da variação positiva da procura interna com elevados conteúdos importados (automóveis, outros equipamentos, outros consumos de bens duradouros, variação de existências**) contrasta com as componentes do aumento das exportações, com menores conteúdos importados, como é o caso das viagens-turismo (+12,4%), do mobiliário (+11,6%), do sector alimentar (+10,7%), do têxtil, vestuário, couro e calçado (+8%), dos moldes metálicos (+6,1%), automóveis (+6%) ou dos plásticos e borracha (+5,4%), com forte contributo de PME.

O primeiro trimestre de 2015 sinaliza um forte aumento das exportações de bens (6%, 5,8% não energéticos) e de serviços (7,8%, com o turismo a crescer 14,7%).

Um dos exemplos bastante positivos para Portugal é o sector dos moldes metálicos para peças em plástico.
Um sector de elevado conteúdo tecnológico, com saliência na cadeia de valor automóvel e que tem uma forte cultura enraízada na Marinha Grande, distrito de Leiria e em Oliveira de Azeméis, no distrito de Aveiro.

Através dos seus grupos e empresas de grande, média e pequena dimensão, Portugal é uma referência a nível mundial nesta área, ocupando em 2014 a sétima posição no ranking dos maiores exportadores mundiais, com 489 milhões de euros de vendas ao exterior, de acordo com os dados do International Trade Centre. Fica atrás de países como a China (2.238 milhões de euros), ou a Alemanha (761 milhões de euros) e o Japão (676 milhões), mas à frente de países como os E.U.A. (404 milhões de euros).

Portugal tem sabido trabalhar bem neste sector. A quota das empresas portuguesas nas importações mundiais de moldes metálicos passou de 4,5% em 2010 para 5,4% em 2013 e 5,7% em 2014, o que manifesta vantagens competitivas criadas ao longo de muitos anos, que transcenderam o euro forte e todos os outros factores adversos do meio ambiente português envolvente.

Muitas das empresas de moldes metálicos são PME Líder: 88 num total de 562 empresas que reopresentam um Volume de Negócios de 320 milhões de euros.

Dentro do universo das PME Líder, as empresas deste sector têm maior taxa de exportação (66,1% versus 23,6%) que as restantes, maior produtividade (1,64 euros de valor acrescentado por cada euro de valor de empregados, versus 1,61 euros), maior rendibilidade económica (o EBITDA representava 16,5% do volume de negócios, face a 9,1% da média das PME Líder), maior rendibilidade financeira (12,4% versus 8,9%) e um risco financeiro mais elevado, mas relativamente baixo (autonomia financeira de 37,6% versus 48,4%). A valorização das empresas expressa pelo capital próprio é de 5,5 vezes o capital incial e suplementar dos accionistas (sócios), versus quatro vezes a média das PME Líder. 
Os exemplos dos Moldes e do Turismo demonstram o potencial das sinergias entre a procura interna e a internacionalização, sendo sectores com menores conteúdos importados. 

A concretização das potencialidades da Economia portuguesa passa pelas novas oportunidades de financiamento no quadro estratégico da União Europeia, mas também pelo desenvolvimento de um meio ambiente envolvente das empresas que contribua para a maximização do valor e para a minimização do risco económico-social através da melhoria da acção do Estado, das instituições financeiras e de todas as entidades envolvidas. 

E passa também pela melhoria da qualidade das decisões tomadas com base em maior e melhor informação de diagnóstico-prognóstico que permita discernir melhor as terapêuticas adequadas para a economia portuguesa, que minimizem os sinais distorcidos, as entropias, os jogos de soma negativa, os círculos viciosos e que maximizem os sinais “luminosos”, as sinergias, os jogos de soma positiva e os círculos virtuosos. 

PME Líder 29/06/2015