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Nova Política Agrícola Comum pode ser oportunidade para apostar nos biológicos

“A futura Política Agrícola Comum vai deixar um maior grau de flexibilidade a cada país para apostar naquilo que verdadeiramente acha que é estratégico. Nós estamos expectantes e a conversar com o Governo no sentido de poder apostar nesta agricultura”, afirmou Jaime Ferreira, em declarações à Lusa.

De acordo com o responsável da Associação Portuguesa de Agricultura Biológica (Agrobio), apesar de o ‘Brexit’ retirar recursos do orçamento da UE, “onde há uma dificuldade, também há uma oportunidade”.

Posto isto, a Agrobio defendeu que mais dinheiro não significa melhores resultados, por isso, é importante saber como alocar os recursos disponíveis.

“Nós temos que colocar o dinheiro onde resultem bens públicos […]. Não é a União Europeia (UE) que nos diz onde vamos colocar o dinheiro. Desta vez, vai-nos ser dada a oportunidade de fazer escolhas como nunca houve. Não há mais desculpas, ou se quer apostar na agricultura biológica ou não se quer”, vincou.

O presidente da direção da Agrobio disse ainda acreditar que da parte do executivo haverá “interesse e vontade” em apostar neste tipo de produção, através de, por exemplo, incentivos para novos agricultores, de um programa de conversão da agricultura tradicional para a biológica e de ações de sensibilização para novos agricultores.

Jaime Ferreira considerou ainda ser “muito positiva” a entrada do PAN no Parlamento Europeu, acrescentando que os partidos ‘verdes’ são os que mais lutam pela promoção da agricultura biológica, impulsionados pelos consumidores que defendem “as questões ambientais, o bem-estar animal e a promoção de uma agricultura menos poluente e mais sustentável”.

A Comissão Europeia propôs, a 1 de junho de 2018, uma verba de cerca de 7,6 mil milhões de euros no Quadro Financeiro Plurianual (QFP) 2021-2027, a preços correntes, abaixo dos 8,1 mil milhões do orçamento anterior, com uma ligeira subida nos pagamentos diretos e cortes no desenvolvimento rural.

Também a preços correntes, para o QFP 2021-2027 está prevista uma verba de 4,2 mil milhões de euros no primeiro pilar da Política Agrícola Comum (PAC) (referente a pagamentos diretos) e de 3,4 mil milhões no segundo (para o desenvolvimento rural).

Criada há 34 anos, a Agrobio dedica-se, sobretudo, a apoiar os agricultores e a promover a agricultura biológica junto dos consumidores, tendo também uma vertente ligada à educação ambiental.

Esta organização não-governamental conta, atualmente, com cerca de oito mil associados, entre agricultores e consumidores.

Jornal Económico, 30/06/2019