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Endividamento da economia agrava-se

Endividamento da economia portuguesa voltou a agravar-se. Em apenas um mês, aumentou em 4,6 mil milhões de euros, atirando o valor total para um novo máximo histórico de 724,3 mil milhões de euros. O setor público foi o principal responsável por esta evolução, em resultado da emissão de dívida através de um sindicato bancário.

"Em abril de 2018, o endividamento do setor não financeiro situava-se em 724,3 mil milhões de euros, dos quais 322,5 mil milhões respeitavam ao setor público e 401,8 mil milhões ao setor privado", nota o Boletim Estatístico do Banco de Portugal. Este valor é o mais elevado desde que existe histórico, ou seja, dezembro de 2007.

O montante em dívida por parte do setor não financeiro é quase cinco vezes o valor da riqueza bruta gerada num ano na economia nacional. Não existem dados relativos a abril mas, em março, os últimos dados disponibilizados pelo Banco de Portugal, o endividamento representava 369,6% do PIB.

Houve um forte aumento do endividamento entre março e abril. “Relativamente a março de 2018, o endividamento do setor não financeiro aumentou 4,6 mil milhões de euros, em resultado do incremento de 4,5 mil milhões de euros no endividamento do setor público”, refere o Boletim Estatístico. “Este incremento traduziu-se num acréscimo do endividamento face ao exterior e ao setor financeiro”, acrescenta.

Em abril, Portugal fez uma emissão de dívida sindicada no valor de três mil milhões de euros. Este financiamento a 15 anos permitiu ao IGCP arrecadar parte do valor necessário para fazer a maior amortização de dívida do ano, no valor de mais de seis mil milhões de euros. Esta operação foi concretizada já em junho, pelo que deverá refletir-se nos próximos dados a divulgar pelo Banco de Portugal.

“Ao nível do setor privado, observou-se o aumento do endividamento dos particulares em 0,1 mil milhões de euros junto do setor financeiro”, nota. “Relativamente às empresas o aumento do financiamento externo (0,2 mil milhões de euros) foi anulado pela redução do endividamento face ao setor financeiro”, conclui.

ECO, 21/06/2018