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Empresas compram carteira de créditos a bancos

Adquirir carteiras de créditos em incumprimento tem sido uma tendência no mercado da gestão e recuperação de créditos.

Servdebt, Whitestar e Intrum Justitia são três das empresas que o têm feito.

Um dos principais ‘players’ na aquisição de carteiras de crédito em incumprimento ‘non performing loans’ a bancos e instituições financeiras nacionais, a Servdebt, tem sob gestão 3,5 mil milhões de euros de crédito em incumprimento e, só no ano passado, adquiriu 900 milhões de euros. Bruno Carneiro, CEO, está optimista “quanto a um aumento significativo no número de operações nos próximos anos”, tendo em conta o ‘stock’ de crédito em incumprimento nos balanços dos bancos.

Outra empresa que compra carteiras de crédito em incumprimento à banca é a Whitestar. Em 2014 teve “um aumento considerável de venda de carteiras mas ainda  com  montantes relativamente reduzidos face à exposição total no balanço dos bancos”, diz João Ferreira Marques, administrador Executivo e Chief Investment Officer.

O responsável revela “fortes expectativas de um maior volume para 2015 e 2016” e garante que futuras transacções já não serão “puras alienações mas sim soluções  estruturadas”. É que, diz, “a banca tem necessidades de melhorar os seus rácios de qualidade e libertar-se de non core, a preocupação principal irá ser a não destruição de capital”.

Ao Económico, João Ferreira deu conta de uma grande operação que a Whitestar tem em mãos: “Fechámos um Distressed Receivables and Properties Programme em Dezembro de 2015 num montante de 1.750 milhões de euros” que incorpora carteiras de imóveis e créditos a empresas e a particulares “em parte via a Lei da Titularização”. A Whitestar gere hoje cerca de 2,3 mil milhões de euros em 70 portefólios e 20 titularizações. Nos próximos 12 a 18 meses, acredita, vai gerir entre cinco a seis mil milhões. Além disso, João Ferreira informa haver “novos planos e parcerias já  estabelecidas para gestão de Commercial Real Estate e restruturação de grandes  empresas, tendo já garantido capital e liquidez para este projecto”.

A Whitestar, onde trabalham 330 pessoas (na imagem), tenta dar resposta às necessidades do mercado, tendo “forte potencial de realização de novos investimentos na  compra de mais portefólios”, diz João Ferreira, que sublinha a aposta na oferta de um conjunto de serviços de consultoria nas áreas de gestão imobiliária,  estruturação, implementação e gestão de titularizações, assessoria  em  investimentos e gestão de portefólios de crédito e assessoria em estrutura de capitais,  reestruturação de empresas e Private Equity.

Também a Intrum Justitia actua na área da recuperação de créditos junto de empresas e de particulares, com estes últimos a representar 65% do negócio e as empresas    cerca de 35%. Sobre a questão da compra da carteira de créditos, Luis  Salvaterra, CEO, informa que a empresa “tem comprado com alguma irregularidade nos  últimos  anos porque o mercado está pouco activo” e os bancos com pouca actividade. Nos últimos dois anos, a empresa comprou carteiras no valor de 250 milhões de euros a  bancos e instituições  financeiras.

Actualmente, a Intrum Jutitia tem em ‘stock’ cerca de 1,5 mil milhões de euros, “em que 80% vem de instituições financeiras”, salienta Luis Salvaterra.

A IGNIOS  ainda  não  compra  carteiras de crédito a bancos, mas não descarta a possibilidade. No final do ano passado a empresa decidiu autonomizar a sua actividade de gestão de cobranças, tendo criado a Gestifatura, especialista  na área, que ficou a dever-se ao crescimento de clientes da Ignios. O volume e número de processos de cobrança aumentou 20%, sendo que o valor médio dos processos em 2014 foi inferior ao do ano  anterior, “o que denota um maior rigor na gestão e políticas de atribuição de crédito”.

A Gestifatura garante haver “cada vez mais sectores disponíveis para vender as suas carteiras de crédito, nomeadamente o automóvel e as ‘utilities’ que têm uma  facturação massiva e, por isso, passiva de incumprimentos”, disse Sérgio  Antunes, director executivo, que acredita que nos próximos dois a três anos o mercado continuará “a mexer”.

Ainda que não tenha adquirido carteiras de crédito, a Logicomer trabalha bastante  com o sector financeiro. No ano passado, a empresa firmou parcerias fechadas com cinco entidades bancárias e também “uma das grandes ‘utilities’ portuguesas”.

Diário Económico