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Emissão de dívida na África subsaariana mais do que duplicou em 2018

No relatório sobre as Estatísticas da Dívida Internacional, divulgado em Washington, lê-se que este aumento do endividamento, que exclui as emissões da África do Sul, a economia mais industrializada do continente, "foi liderado pelos maiores países exportadores de petróleo, como a Nigéria e Angola, a liderar a subida, emitindo 3,5 mil milhões de dólares [3,2 mil milhões de euros] e 5,4 mil milhões de dólares [4,9 mil milhões de euros], respetivamente".

Excetuando a África do Sul, o endividamento dos países da África subsaariana aumentou de 9 mil milhões de dólares (cerca de 8,2 mil milhões de euros) para 17,4 mil milhões de dólares (cerca de 15,9 mil milhões de euros).

O relatório dá conta que as verbas encaixadas com as emissões de títulos de dívida soberana "foram usadas para o financiamento de infraestruturas, apoio à balança de pagamentos e refinanciamento de operações anteriores".

O facto de todas as emissões terem gerado mais procura que a oferta disponível, ou seja, havia mais investidores interessados em comprar dívida do que o montante que os países estavam dispostos a colocar no mercado, explica-se pela "confiança dos investidores na região e pelos juros atrativos".

Entre 2008 e 2018, o total de dívida emitida pelos países da África subsaariana ficou-se pelos 46 mil milhões de dólares [42,1 mil milhões de euros], sendo que os países elegíveis para os recursos da Associação Internacional de desenvolvimento do Banco Mundial (IDA) "representaram 85% do total das emissões de títulos", aponta-se no relatório.

No que diz respeito aos fluxos de investimento, o relatório do Banco Mundial salienta que os países da África subsaariana registaram "o maior aumento de Investimento Direto Estrangeiro (IDE) em 2018, com uma subida de 17% face aos 24 mil milhões de dólares [21,9 mil milhões de euros] registados em 2018".

No entanto, alertam os peritos do Banco Mundial, estes valores explicam-se "pelo aumento da subida de investimentos na África do Sul, para 1,3 mil milhões de dólares, face aos 300 milhões de 2017, e para um abrandamento da repatriação dos lucros das empresas, concomitantemente com os investimentos externos, que passaram de 7,3 mil milhões de dólares em 2017, para 5,9 mil milhões em 2018".

No total mundial, "a dívida externa total dos países de baixo e médio rendimento subiu 5,3% para 7,8 biliões de dólares no ano passado, enquanto os fluxos de dívida líquida (desembolsos brutos menos pagamentos principais) de credores externos caíram 28% para 529 biliões", segundo o relatório.

"Embora, em média, a carga de dívida externa dos países de baixo e médio rendimento fosse moderada, vários países estão numa trajetória negativa de dívida desde 2009", indica o relatório, que especifica que "a quota de países de baixo e médio rendimento com rácios de dívida face ao PIB inferiores a 30% diminuiu para 25%, abaixo dos 42% registados há dez anos".

Citado no relatório, o presidente do Grupo Banco Mundial, David Malpass, afirmou que "para crescer mais rápido, muitos países em desenvolvimento precisam de mais investimentos que respondam aos seus objetivos", e concluiu "a transparência da dívida deve estender-se a todas as formas de compromissos governamentais, explícitas e implícitas, sendo uma parte crucial na atração de mais investimento e na construção de uma alocação eficiente de capital".

Notícias ao Minuto, 02/10/2019