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Economia ligada ao mar gerou lucros de 2,2 mil milhões em Portugal

A economia azul de Portugal, das atividades ligadas ao mar, gerou um VAB – Valor Acrescentado Bruto de 4,2 mil milhões de euros em 2016, de acordo com o estudo “The 2018 Annual Economic Report on EU Blue Economy”, hoje, dia 27 de junho, divulgado pela Comissão Europeia.

De acordo com esse relatório, a economia azul empregava 178 mil pessoas em Portugal no final de 2016, com destaque para o subsetor do turismo costeiro, que contribuiu em cerca de 75% para este número de empregos e em 78% para os lucros conseguidos por este setor da economia.

O mesmo documento de Bruxelas adianta que os lucros da economia azul nacional deverão ter rondado os 2,2 mil milhões de euros em 2016.

Em questão de empregos, segundo o mesmo estudo da Comissão Europeia, a economia azul em Portugal passou de uma percentagem de 3,35% no total de empregos existentes no país em 2009 para 4,07% em 2016.

Os recursos vivos (pescado) também um segmento com contribuição relevante para a economia azul em Portugal, proporcionando 21% dos empregos gerados pela economia azul, 15% do VAB e 12% dos lucros.

Por seu turno, o subsetor nacional da construção e reparação naval, apesar de só representar 2% do total de emprego desta área da economia, gera 7% do VAB e 6% dos lucros respetivos.

“A economia azul [em Portugal] manteve-se estável em 2009-2012 e aumentou nitidamente atingindo em 2016 o seu ponto mais elevado para o período em análise. A contribuição do VAB da economia azul para o PIB [Produto Interno Bruto] também assistiu a um aumento significativo de 22% no mesmo período. contrariamente ao VAB da economia azul, o PIB nacional de Portugal manteve-se estável sem crescimentos nítidos”, destaca o relatório da Comissão Europeia.

O mesmo documento acrescenta que, no capítulo do emprego,  a economia azul nacional “viu um crescimento em 2009-2016 enquanto o emprego nacional caiu”.

“A parcela de emprego da economia azul em relação ao emprego nacional global também subiu 21,5% durante o período em análise. Em termos de emprego nacional geral, a tendência foi negativa”, destaca o relatório da Comissão Europeia.

O estudo em apreço acrescenta que “o salário médio do setor da economia azul em 2016 foi de 11.200 euros, um crescimento de 9% face a 2009”, adiantando que “os salários médios aumentaram quando comparados com os de 2009 em todos os setores da economia azul, excepto nos transportes marítimos, que registaram uma queda de 14%”.

Este relatório assinala ainda que a economia azul cresceu mais que as respetivas economias em Portugal, Espanha e Bélgica.

O VAB do setor em Portugal cresceu no período em analise 27%, contra uma subida de apenas 4% do PIB no mesmo período.

Em 2016, no aspecto da contribuição da economia azul para todo o setor económico nacional, Portugal fechou 2016 com uma taxa de 2,5%, o que o colocou em 8º lugar no conjunto dos países da União Europeia, numa lista liderada pela Croácia (7,1%), e à frente da Espanha (2,3%). Neste capítulo, a média da UE é de 1,3%.

“A um nível nacional, a contribuição da economia azul para o total do PIB excede de forma significativa a média da União Europeia em diversos Estados-membros, como são os casos da Croácia, Dinamarca e Grécia. A quota da economia azul está bem acima da média europeia nas regiões do Mediterrâneo e da Península Ibérica, com os estados mediterrânicos a serem responsáveis por quatro das cinco maiores quotas”, sublinha o referido estudo.

Jornal de Negócios, 28/06/2018