AL Seguros

Crescer internacionalmente exige melhor gestão do risco

O desconhecimento dos mercados é a principal dificuldade identificada pelas empresas em internacionalização.

O INE divulgou no início da semana os dados preliminares de 2014 das estatísticas das empresas. Os principais indicadores económicos do setor empresarial não financeiro, que a IGNIOS calculou, registaram evoluções positivas face a 2013: com o VAB a crescer 3,7% e o Valor dos Empregados 1,8%, a Produtividade dos Empregados cresceu 1,9%; com o Volume de Negócios a crescer 1,7% e o Excedente Bruto de Exploração 6,9%, a Rendibilidade Económica cresceu 5,1%. As sociedades não financeiras com ‘perfil exportador' aumentaram significativamente, o seu contributo para a economia, passando de 25,4% do total do VAB em 2010, para 32,8% em 2014 e de 18,6% do total de Empregados das Sociedades não financeiras em 2010, para 23,2% do total em 2014.

Estes indicadores corroboram as análises IGNIOS sobre a economia portuguesa que temos vindo a desenvolver durante o mês de setembro. As exportações foram em 2014 a variável com maior impacto no crescimento do PIB e esta tendência manteve-se no primeiro semestre de 2015.

Efetivamente, face às restrições verificadas no mercado nacional nos últimos anos, as empresas portuguesas tiveram que encontrar formas de reduzir a sua dependência da procura interna. Foram muitas as empresas nacionais que apostaram nos mercados externos. E os números demonstram que esta tem sido uma aposta bem-sucedida. A quota das empresas portuguesas nas importações mundiais tem vindo a aumentar, assim como as capacidades de financiamento e relação risco-rendibilidade das empresas exportadoras.

Perante o risco de continuidade das suas operações no mercado nacional, as empresas incrementaram as suas operações internacionais. Crescer implicou assumir riscos adicionais que, no caso das empresas portuguesas, significaram enfrentar o desconhecido.

O desconhecimento dos mercados é precisamente a principal dificuldade identificada pelas empresas em internacionalização, segundo um estudo recente do AICEP e Deloitte. Esta variável é referida por 51% das empresas inquiridas, enquanto o risco de crédito surge como o principal fator de risco neste processo.

O crescimento via exportações continuará a ser uma realidade nos próximos anos, pelo que é fundamental que as empresas procurem instrumentos que lhes permitam minimizar estes riscos. A informação qualificada sobre mercados-alvo, parceiros, fornecedores e clientes é um dos pontos de partida para o sucesso internacional. É o primeiro passo para salvaguardar prazos de recebimento e minimizar o risco de incumprimento.

Antecipar e atuar preventivamente são os conceitos chave. A importância da informação qualificada foi aliás reconhecida nos diferentes sistemas de incentivos disponíveis no âmbito do Portugal 2020. As empresas, em particular as PME, que decidam apresentar projetos de qualificação e internacionalização podem contar com a elegibilidade de despesas relacionadas com a aquisição de bases de dados e outras ferramentas de suporte à sua prospeção e desenvolvimento de negócio internacional.

A informação qualificada é fundamental na fase inicial de desenvolvimento e de abordagem a um novo segmento ou mercado mas é igualmente importante ao longo do tempo - pela monitorização e acompanhamento da atividade e situação estratégica, económica e financeira de fornecedores, parceiros, concorrentes e clientes.

Diário Económico 30/09/2015