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China anuncia meta ambiciosa para a economia e sobe gastos com a Defesa

Trata-se de um ritmo ligeiramente abaixo ao alcançado no ano anterior, de 6,6%, mas ainda assim entre os mais rápidos do mundo. Numa resposta às queixas de Washington e Bruxelas sobre o acesso ao mercado chinês, Li garantiu “igual tratamento” para as empresas estrangeiras e concorrentes nacionais.

O primeiro-ministro prometeu ainda “promover as negociações comerciais entre a China e os EUA”, sem avançar detalhes sobre o estado das negociações que visam pôr fim a uma guerra comercial que ameaça a economia mundial. Na segunda metade do ano passado, China e EUA aumentaram as taxas alfandegárias sobre centenas de milhões de dólares de produtos de cada um.

O presidente norte-americano, Donald Trump, exige que a China ponha fim a subsídios estatais para certas indústrias estratégicas, à medida que a liderança chinesa tenta transformar as firmas do país em importantes atores em atividades de alto valor agregado.

Washington quer também mais acesso ao mercado, melhor proteção da propriedade intelectual e o fim da ciberespionagem sobre segredos comerciais de firmas norte-americanas. Mas Li Keqiang prometeu ainda aumentar os gastos com o desenvolvimento do setor tecnológico, que o Partido Comunista Chinês considera crucial para elevar o estatuto global do país. E alertou que a segunda maior economia do mundo enfrenta um “ambiente mais severo e mais complexo”, com riscos que se podem tornar “maiores em número e tamanho”.

A ANP, cuja sessão anual decorre até 14 de março, é o “supremo órgão do poder de Estado na China” e a “expressão máxima da democracia socialista”. Contudo, os cerca de 3.000 delegados à ANP, entre os quais uma representação das Forças Armadas, não são eleitos por sufrágio direto e o “papel dirigente” do Partido Comunista Chinês (PCC) é “um princípio cardial”.

A Assembleia deve rever a legislação que regula o investimento estrangeiro, para acabar com a transferência forçada de tecnologia, visando atender a uma das principais queixas de grupos empresariais norte-americanos e europeus. Li anunciou também a subida dos gastos públicos em 6,5%, comparativamente ao ano passado, para 23 biliões de yuans (3,03 biliões de euros) e um aumento do rácio do défice, em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), em 0,2 pontos percentuais, para 2,8%. Este estímulo permitiria impulsionar “significativamente o poder de compra” dos consumidores e empresas e ajudaria a aumentar a procura por automóveis, eletrodomésticos e outros bens, afirmou num relatório Vishnu Varathan, do banco japonês Mizuho Bank. O governo quer “garantir uma aterragem suave”, para a economia, descreveu Varathan.

Os gastos com a Defesa vão aumentar 7,5%, para o equivalente a 156,7 mil milhões de euros, segundo um relatório difundido pelo ministério chinês das Finanças, que antecedeu à abertura da ANP. Yue Gang, um especialista militar e coronel aposentado do Exército chinês, considerou que o aumento relativamente modesto dos gastos militares – abaixo das subidas de dois dígitos dos últimos anos – reflete as novas condições económicas que o país enfrenta. “É mais urgente que a China se prepare para uma guerra comercial com os EUA do que uma guerra física”, disse.

O orçamento da Defesa impulsionará a construção naval e a compra de aeronaves de última geração e outro armamento, visando reforçar as reclamações territoriais chinesas no mar do Sul da China e firmar a posição do país como potência regional.

Dinheiro Vivo, 05/03/2019