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Brasil sem solução rápida para a crise

O Brasil tem crescido desde a última década, como resultado do aumento súbito dos preços das mercadorias e do forte consumo doméstico. O país suportou a crise de 2008-2009, graças às injecções de liquidez dos bancos públicos. O rácio de crédito total em relação ao PIB aumentou significativamente durante os 6 anos, de 2008 até 2014, de 39.7% para 54.7%.

Além disso, o índice de referência Selic para taxas de juros caíram para o nível histórico mais baixo, para 7.25% , em Outubro de 2012. Esta melhoria nas condições de crédito está em perfeita sinergia com a classe média emergente do país. Contudo, este movimento não foi acompanhado pelo lado da oferta.

A indústria tornou-se cada vez mais vulnerável às importações, devido à combinação de fracas infra-estruturas e aos elevados custos de produção. Estas fragilidades estão particularmente associadas ao mercado de trabalho do país, visto que os salários aumentaram muito além da produtividade durante esse período.

O ano de 2015 começou com o Segundo mandato presidencial de Dilma Rousseff. Ganhou as eleições, mas deparou-se com uma batalha mais difícil: controlar a inflação e a acentuada deterioração das contas públicas. Até agora, o governo não conseguiu melhorar os fundamentos macroeconómicos.

No início de Setembro, a Standard & Poor’s desvalorizou o Brasil para um nível insignificante. A Coface também reviu em baixa a avaliação de risco país, de A4 para B (ver tabela 1). As razões que levaram a esta decisão serão mais exploradas na primeira secção deste panorama. A segunda secção deste barómetro sectorial actualizado revela os efeitos da recessão num sector, por sector. Esta informação baseia-se na análise dos desempenhos financeiros das empresas em diferentes indústrias, realizada pela Coface, destacando onde houve um aumento dos riscos e onde o risco permaneceu estável. Sem surpresas, nenhum segmento relatou melhorias. As indústrias automóvel, da construção e a siderúrgica desvalorizaram e passaram de risco elevado para risco muito elevado.

Coface, 14/03/2016