AL Seguros

Os motores da economia mundial estão a gripar

Os principais motores da economia mundial estão a ‘gripar’ e fazem antever um final de ano mais complicado do que se pensava. Depois de Estados Unidos e China, as duas maiores economias do mundo, verem as suas economias crescerem menos, agora foi a vez de a Alemanha apresentar uma contração no segundo trimestre do ano. O agravamento das tensões comerciais entre os maiores blocos económicos do mundo, a incerteza quanto ao Brexit e ao futuro político de países como Itália, Espanha, Bélgica e Brasil, assim como a instabilidade na China prometem complicações.

Christine Lagarde avisou no início de abril que 70% da economia mundial estava a abrandar. O Fundo Monetário Internacional cortou as previsões para a economia mundial para 3,5% este ano, Mario Draghi prometeu novos estímulos do BCE e a Reserva Federal já cortou as taxas de juro. Mas o cenário é cada vez mais negro e abrangente. Entre as 20 maiores economias do mundo, só o Japão e Taiwan estão a bater as expectativas. A China teve o seu pior crescimento em 26 anos e a Índia dos últimos cinco.


Europa: Tensões comerciais, Brexit e cada vez maior incerteza política

Depois de o Reino Unido ver a sua economia encolher pela primeira vez em sete anos, esta quarta-feira foi a vez de a Alemanha seguir o mesmo caminho. A contração da maior economia da União Europeia (e quarta maior economia do mundo) no segundo trimestre é um mau sinal, mas pior ainda é o abrandamento do crescimento nos últimos doze meses para 0,4%, o pior desde pelo menos 2014.

A justificação dada é a queda das exportações, o principal motor da economia alemã. Mas a Alemanha e o Reino Unido não estão sozinhos neste barco. Em França, a sexta maior economia do mundo, o crescimento económico abrandou pelo segundo trimestre consecutivo, de valores já de si anémicos. Itália, que tinha saído da recessão no início deste ano, voltou a estagnar. Espanha, que apresentava valores de crescimento mais robustos, viu a economia abrandar para o pior registo do último ano, e a Bélgica foi no mesmo sentido.

O crescimento económico no segundo trimestre já reflete parte da incerteza que está a afetar as decisões de investimento das famílias e das empresas, e também a queda nas exportações motivadas pelas crescentes tensões comerciais com os Estados Unidos e a China. No entanto, há um fator de risco acrescido que tem sido constantemente apontado pelas principais organizações internacionais que pode pesar ainda mais na segunda metade do ano: a incerteza política.

Em Itália, Matteo Salvini saiu da coligação governamental e apresentou uma moção de censura ao Governo italiano, abrindo espaço para a extrema-direita na liderança do país e a uma nova batalha com a Comissão Europeia devido ao orçamento italiano. Em Espanha, a força europeia de Pedro Sanchéz não lhe valeu de muito na formação do Governo e a incerteza sobre o futuro mantém-se, tal como na Bélgica onde não há sequer uma solução à vista. Mas o maior risco poderá ser mesmo o do Brexit. Com data marcada para o final de outubro, Boris Johnson assumiu a liderança do Governo britânico no segundo trimestre a exigir negociações que a União Europeia não está disposta a fazer, e o novo primeiro-ministro britânico já ameaçou uma saída sem acordo.

Eco, 16/08/2019