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Empresas dilatam os prazos de pagamento para financiar o crescimento do negócio a nível mundial

A cadeia de pagamentos a nível mundial está a sofrer pressões crescentes devido não só ao aumento do número de dias que as empresas demoram a pagar os bens e serviços adquiridos, mas também pelos enormes desafios provocados pelo abrandamento económico nos mercados emergentes e pela expansão nas economias avançadas, refere a Euler Hermes, líder mundial em Seguro de Créditos e acionista da COSEC.

A seguradora analisou o período de tempo entre a disponibilização de um produto e o dia do pagamento efetivo desse bem, denominado Prazo Médio de Pagamento (PMP). O PMP é um indicador reconhecido da boa saúde das empresas e da potencial existência de dificuldades financeiras ao longo da cadeia de distribuição.

Os dados sugerem que as empresas continuam a depender do aumento dos prazos de crédito já que, globalmente, não registamos qualquer redução no número de dias de pagamento, refere Ludovic Subran, economista chefe da Euler Hermes. “As empresas localizadas nos mercados emergentes recebem o pagamento cinco dias mais tarde que as suas congéneres em países economicamente mais avançados, quando em 2007 recebiam 10 dias mais cedo. As empresas têm de redobrar os cuidados para antecipar sinais de problemas de tesouraria por parte dos seus clientes nos países emergentes.”

No geral, o PMP nos mercados emergentes vai aumentar para os 69 dias em 2015. Rússia, China e Brasil lideram no deslize de número de dias. Na China, o PMP aumentou significativamente (+22 dias entre 2007 e 2015). Três principais motivos explicam esta mudança de comportamento das empresas chinesas:

As empresas Chinesas têm procurado clientes internacionais concedendo-lhes crédito como forma de angariação de negócio;

As empresas Chinesas estão sofrer as consequências do abrandamento económico do país e a transferir a tensão de tesouraria para os seus fornecedores e clientes;

Crédito inter-empresas tornou-se uma das principais formas de financiamento já que o acesso a crédito através dos bancos ou por recurso ao sistema financeiro paralelo está cada vez mais dificultado desde o ano passado.

Por seu turno, o relatório estima que o PMP nas economias mais avançadas diminua para os 64 dias em 2015 (65 em 2014), acompanhando a recuperação económica no sentido em que as empresas nestes mercados estão, novamente, a gerar dinheiro, permitindo o pagamento mais célere de faturas.
 
Com a exceção do petróleo e gás, o sector energético tem sofrido rápido aumento do PMP nos mercados emergentes. Esta evolução é mais evidente nos sectores de tecnologia (91 dias PMP), bens industriais (75 dias PMP) e automóvel, três sectores chave para estes mercados. “A exceção do petróleo e do gás pode ser explicada pela excessiva acumulação de capitais entre grandes empresas. Este excesso de liquidez permite maior flexibilidade de pagamento às empresas petrolíferas e de gás por parte dos seus clientes. Não contamos, no entanto, que esta seja uma situação que dure muito mais tempo, já que a diminuição do preço do petróleo e a necessidade de novos investimentos aumenta a necessidade de liquidez”, acrescenta Marc Livinec, economista sectorial na Euler Hermes e um dos autores do estudo.

O estudo também ressalta que as empresas Italianas continuam a ser pagas de forma muito lenta (99 dias PMP), 33 dias acima da média mundial. No sector químico este prazo aumenta ainda mais para os 148 dias e 149 no sector tecnológico. Por seu lado, as empresas Chinesas e Indianas são pagas, em média a 74 e 77 dias respetivamente, e as empresas Holandesas são as que recebem os pagamentos das suas faturas mais cedo: 47 dias PMP.

As atividades B2B continuam a registar PMP mais longos que as empresas B2C, já que as empresas que estão em contacto com o cliente final recebem mais rapidamente que as que estão envolvidas em situações de crédito inter-empresas.

Cosec 20/07/2015