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Robustez da economia e lucros alinharam-se para ano excecional

“No mercado acionista, 2017 foi um ano excepcional!”, avalia o diretor de negociações do Banco Carregosa, João Queiroz, que destaca “principalmente os países da periferia da Europa, como Itália, Espanha e Portugal”.

Num ano de valorizações para as ações europeias, os índices de referência de Lisboa e de Milão superaram a generalidade dos pares, a refletirem o reforço da confiança dos investidores na recuperação de Portugal e Itália depois da crise. Madrid preparava-se para igualar o feito, mas acabou por ser penalizado no último trimestre pela crise política na Catalunha, “mas quando este problema estiver ultrapassado, vai voltar a tendência”.

Apesar do bom momento para a Europa, “os EUA tiveram o melhor desempenho, com destaque para as FANG [Facebook, Amazon, Netflix e Alphabet] e outras tecnológicas”, afirmou Queiroz, sobre as cotadas do Nasdaq, índice que disparou quase 30% desde o início do ano.

Entre os países desenvolvidos, o diretor de negociações do Banco Carregosa explicou que as valorizações foram causadas por um conjunto de fatores macroeconómicos, com revisões em alta do crescimento económico e perspetivas, bem como melhorias nos índices de confiança.

“No contexto micro, ao nível das empresas, os programas de recompra de ações, resultados trimestrais que surpreenderam consecutivamente pela positiva, associados a questões como ganhos de eficiência foram positivos. Os custos das matérias-primas que continuam limitados também ajudaram”, referiu.

Entre os mercados emergentes, salta à vista o índice de Buenos Aires, que ganhou o lugar de bolsa que mais valorizou em todo o mundo. “A Argentina estará a descontar das negociações nos últimos dois a três anos. O Brasil está a crescer e teria mais espaço para recuperar, mas há eleições no próximo ano no país, o que cria alguma incerteza”, afirmou Queiroz, que avaliou o desempenho dos mercados emergentes tanto latinos como asiáticos “satisfatório”, ajudado pela recuperação de algumas matérias-primas, como metais não preciosos, de que é exemplo o cobre.

Na Ásia, destaca que a China “é sempre uma incerteza”. A desaceleração do crescimento económico, que se afastou este ano dos 7% esperados foi o principal fator de dúvida. No entanto, os índices de referência no país “têm conseguido ultrapassar” a questão.

No Japão, a política monetária expansionista de longa duração e um iene fraco levaram o Nikkei 225 a tocar os 23.000 pontos, o valor mais elevado em 25 anos.

A acompanhar as subidas dos preços das ações, o ano também ficou marcado pela baixa volatilidade, que traz vantagens, mas também riscos. O índice que mede o risco VIX está próximo de 9%, não longe dos mínimos de sempre (8%). Queiroz acredita “a volatilidade continua afastada dos mercados e enquanto houver elevada liquidez vai continuar a ser assim, o que permite ter mitigar a perceção de risco, mas que também pode camuflar situações complexas e levar emitentes a serem percecionados com risco abaixo do real”.

Esse risco associado à retirada gradual de políticas monetárias expansionistas por vários bancos centrais globais pode levar a alterações em 2018.

Jornal Economico, 27/12/2017