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O que se passa com o preço do petróleo

O mercado ‘desconfia’ que a OPEP consiga chegar a um acordo definitivo.

Em setembro, numa reunião informal na Argélia, contra a generalidade das expectativas, os membros da Organização dos Países Produtores de Petróleo (OPEP) chegaram a acordo para limitar a produção, algo que não acontecia desde 2008. Ficou definido que a produção ficaria limitada a 32,5 milhões de barris por dia, ficando por acertar as quantidades por país, nomeadamente para o Irão, a Líbia e a Nigéria.

Os mercados reagiram euforicamente. Nesse dia o preço do barril de Brent subiu 5,92% em relação aos 45,97 dólares da véspera, e no dia dez de outubro atingiu um máximo a 53,14 dólares, uma subida de 15,6% ou 7,17 dólares em cerca de duas semanas, fez máximos de outubro de 2015.

Nesse dia, teve início o 23º Congresso Mundial da Energia, e o presidente russo Vladimir Putin juntou-se ao acordo da OPEP ao afirmar que “A Rússia está preparada para se juntar aos esforços comuns de limitação da produção e apela a outros exportadores no sentido de que façam o mesmo.” Foi o canto do cisne…

Após o congresso da Turquia começou a crescer a desconfiança de que os produtores de petróleo não iriam conseguir implementar o acordo para reduzir a oferta de crude no mercado, na reunião que está marcada para 30 de novembro.

O Irão, após anos de sanções, regressou recentemente ao mercado e afirmou não estar disponível para reduzir a produção. Além disso, o mercado está também a receber mais crude por parte da Líbia e da Nigéria, cujas exportações foram comprometidas devido a conflitos internos, o que agrava ainda mais o desequilíbrio entre a oferta e a procura mundial.

O Iraque, o segundo maior produtor da OPEP, afirmou que não quer participar na proposta de corte de produção que o cartel pretende aprovar na reunião ordinária de Viena no próximo mês, informa a Reuters.

Um número crescente de países que se dizem relutantes ou que não podem cortar a produção tem colocado em dúvida a capacidade do grupo de alcançar um acordo efetivo quando se reunir em 30 de Novembro. De acordo com o The Wall Street Journal, a Rússia, Azerbeijão, Brasil, Cazaquistão, México e Omã – que não pertencem à OPEP – terão dito que não se comprometem a reduzir ou congelar as suas produções enquanto não houver um acordo concreto por parte do cartel.

O governo brasileiro é contra um corte de produção de petróleo, disse à Reuters o secretário de Petróleo do Ministério de Minas e Energia (MME), Márcio Félix. “Se os preços caem muito, as empresas têm que cortar custos, serem mais competitivas, no limite fechar um campo, é assim que funciona…” A produção de petróleo no Brasil subiu pelo quinto mês consecutivo em agosto, renovando um recorde mensal de extração com 2,609 milhões de barris por dia, volume superior a muitos países da OPEP.

Autoridades e especialistas de países membros e não membros da OPEP, incluindo Azerbaijão, Brasil, Cazaquistão, México, Oman e Rússia, reuniram-se para conversar em Viena, no passado dia 29 de outubro, mas apenas concordaram em reunir-se novamente em Novembro antes da reunião regular da OPEP, agendada para 30 de novembro, disseram em comunicado.

A Noruega recusou o convite para participar na reunião com o cartel. O país nórdico não é membro da OPEP e fornece cerca de 2% do consumo global de petróleo. Também a Indonésia se autoexcluiu, ao afirmar que tem como meta um aumento de 42 por cento na produção no próximo ano.

No entanto, e segundo avançava hoje a Reuters, a OPEP teria aprovado esta segunda-feira um documento que estipula a estratégia de longo prazo, mas de concreto, o que se sabe é que uma nova reunião da OPEP com outros países deverá ocorrer a 25 de novembro, antes da reunião oficial do cartel no dia 30.

São muitas as incertezas e poucas as certezas, e enquanto o cenário não se concretiza, as dúvidas persistem e as cotações começaram a cair, tendo hoje descido para mínimos de cinco semanas nos mercados internacionais, e os ganhos após a reunião da Argélia já foram anulados. O Brent do Mar do Norte negoceia a cair 0,84% para 48,20 dólares por barril. Já o West Texas Intermediate (WTI), transaciona a ceder 0,41% para 46,67 dólares.

Jornal Económico, 02/11/2016