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Governo quer dinamizar seguros de crédito com garantia do Estado

O Governo quer dinamizar os seguros de crédito com garantia do Estado para a exportação em mercados fora da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

"Há seguros com garantias do Estado que permitem ao exportador ter a segurança de que o valor dos seus produtos será sempre pago. Queremos dinamizar a utilização desses seguros, torná-los mais acessíveis às empresas e queremos criar novas apólices", disse Pedro Siza Vieira, em declarações à agência Lusa à margem do congresso da Confederação Empresarial de Portugal (CIP).

O ministro explicou que o atual Governo liderado por António Costa pretende "ajudar as empresas" quando estas "exportam para países fora da Europa e muitas vezes são confrontadas a necessidade de terem segurança de que o comprador dos seus produtos possa não poder pagar o valor das encomendas", dando como exemplos mercados como a Venezuela, o Irão, a Argélia ou Angola.

Pedro Siza Vieira avançou que está a ser criada uma modalidade especifica para a indústria metalomecânica que dá a possibilidade de crédito aos compradores, ou seja aos importadores estrangeiros de máquinas portuguesas.

"Poderão pagar a prazo e o exportador poderá receber logo à cabeça o valor da sua exportação", explicou o governante, somando outras modalidades como o seguro-caução para as empresas de construção civil que concorrem a obras no exterior.

"Vamos dinamizá-los e torná-los mais especializados com especificidades que as empresas têm reclamado (...). O Estado tem neste momento cerca de 1,5 milhões de euros para garantias de Estado. Queremos que isso seja efetivamente utilizado pelas empresas", disse o ministro.

De manhã, na sessão de abertura, o presidente da CIP, António Saraiva, atribuiu às empresas o mérito da recuperação económica do país, lamentando que continuem a ser "insuficientemente apoiadas" pelo Governo e penalizadas por uma crescente carga fiscal.

António Saraiva sustentou que a "recuperação que muitos insistem em discutir se é mérito deste Governo, do anterior ou de uma eventual conjunção de condições propícias ao crescimento", se deve, na verdade, "às empresas".

Em jeito de resposta ao responsável da CIP, o ministro Adjunto enumerou aspetos que, no seu entender, explicam a recuperação económica de Portugal, dizendo que "o primeiro mérito desta situação é seguramente das empresas e das exportações portuguesas", mas pedindo: "Permita-me também reclamar uma parte de mérito para as medidas implementadas"

"Também fizemos uma decisiva aceleração dos fundos comunitários (?) uma gestão rigorosa das finanças públicas. Fizemos um controlo das finanças como nunca houve em Portugal.

É notória a estabilização do sistema financeiro. Tudo isto se traduziu numa redução nos custos de financiamento à economia, mas também na recuperação da confiança das famílias", disse o governante.

Diário de Notícias, 11/04/2018