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Estudo revela que pagamentos em atraso são intencionais

Estudo revela que alguns setores são mais vulneráveis aos atrasos de pagamentos que outros, mas todas as indústrias são afetadas.

Em Portugal 88% do Setor de Serviços Empresariais considera que o pagamento em atraso é intencional. De acordo com o EPR 2017 Industry White Paper, estudo da Intrum Justitia, “as empresas deste setor consideram que o pagamento fora de prazo intencional (88%) e as dificuldades financeiras (81%) são as principais causas de atraso de pagamento dos seus próprios clientes”. Metade das empresas deste setor afirma que “se o pagamento fosse efetuado de uma forma mais rápida e eficaz permitiria a contratação de mais funcionários. Este valor (50%) é consideravelmente mais elevado em relação ao valor europeu (23%)”.

Metade das empresas deste setor afirma que “se o pagamento fosse efetuado de uma forma mais rápida e eficaz permitiria a contratação de mais funcionários. Este valor (50%) é consideravelmente mais elevado em relação ao valor europeu (23%)”.

O estudo em Portugal, analisou três setores de atividade: Indústria, Comércio Grossista e Retalho e Serviços Empresariais. Comprovou que em todos os setores (+60%), as empresas foram convidadas a aceitar condições de pagamento mais longas do que seria razoável e consideram que as baixas taxas de juros não levam a mudanças a nível do investimento.

No setor da Indústria, os inquiridos “destacaram que as principais causas de atraso de pagamento dos seus próprios clientes são os problemas financeiros (79%), seguindo-se o pagamento fora de prazo intencional (64%)”. Revela ainda que, no sentido de se proteger face aos atrasos de pagamento, “as empresas portuguesas do setor da Indústria recorrem a diferentes mecanismos de proteção, nomeadamente, a utilização do factoring, seguro de crédito, garantias bancárias, pagamento antecipado, verificações de crédito e empresas de gestão e recuperação de créditos”.

Comparativamente com a média europeia esta opção é bastante mais elevada em Portugal. As respostas comprovam que, por exemplo, as verificações de crédito são utilizadas por 64% das empresas deste setor, sendo este valor mais do dobro da média europeia (30%). O setor do Comércio Grossista e Retalho revela que, ainda de uma forma mais acentuada, também os problemas financeiros (93%) são uma das principais causas de atraso de pagamento dos seus próprios clientes, seguindo-se a ineficiência administrativa dos mesmos (62%). “O pagamento tardio é comum neste setor. Em média, os consumidores têm quatro dias de atraso em relação ao pagamento às empresas, seguindo-se as empresas com 17 dias de atraso e por fim, o setor público com mais de 50 dias de atraso”, refere o estudo.


Na Europa

O EPR 2017 Industry White Paper, estudo da Intrum Justitia que inquire mais de 10 mil empresas de 29 países europeus, indica que os atrasos dos pagamentos estão a ter consequências negativas para as empresas de todos os setores. O estudo tem como objetivo compreender o comportamento de pagamento e a saúde financeira das empresas e a forma como estes atrasos afetam o seu desenvolvimento.

Para Luís Salvaterra, Diretor Geral da Intrum Justitia, “continuamos a verificar um aumento do risco por toda a Europa e a pressão para que as empresas aceitem prazos de pagamento mais longos, também aumentou. Em média, 61% das empresas pesquisadas foram convidadas a conceder novas condições de pagamento, comparando com 46% no ano passado, ou seja, um aumento substancial”.

Salienta que “a não inversão desta situação é preocupante e os atrasos de pagamentos têm várias consequências negativas na estabilidade e saúde financeira das empresas. Falamos de despesas com juros adicionais e ausência de crescimento das empresas, mas também de ameaça à sobrevivência, despedimentos e a não contratação de novos funcionários”.

O estudo revela que alguns setores são mais vulneráveis aos atrasos de pagamentos do que outros, apesar de o relatório mostrar que todas as indústrias são afetadas negativamente por estes atrasos. Por toda a Europa, as empresas de todos os setores analisados, quase um quarto garante que um pagamento mais célere permitiria investir na criação de novos postos de trabalho.

Quando questionados sobre as principais causas dos atrasos de pagamento, 66% das empresas europeias pesquisadas apontam as dificuldades financeiras e 55% indicam o atraso de pagamento intencional como uma das principais causas, valores que decresceram relativamente ao ano passado que se situavam em 72% e 63% respetivamente.

No que diz respeito à Diretiva Europeia de pagamentos, que entrou em vigor já há quatro anos em todos os países da UE, em comparação com o estudo do ano passado, um número crescente dos entrevistados afirma estar familiarizado com a Diretiva Europeia de pagamentos. Este ano, mais de três em dez empresas pesquisadas (31%) afirmam estar familiarizados com a Diretiva, um aumento de 3% em relação a 2016.

“Um facto positivo, mas estando a Diretiva em vigor há quatro anos, em média, apenas 17% daqueles que estão familiarizados com a Diretiva dizem ter notado um impacto positivo com o resultado da Diretiva em termos de menos atrasos de pagamento”.

Fonte: Dinheiro Vivo, 06/12/2017