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Economia portuguesa cresceu 1,4 em 2016

Os números publicados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram que o PIB português avançou 1,9% nos últimos três meses do ano em comparação com o mesmo período de 2015. Um valor que fica em linha com a previsão da Comissão Europeia divulgada ontem. Para a totalidade do ano, a conclusão do INE é que Portugal cresceu 1,4%, um valor que supera a previsão de Bruxelas (1,3%), bem como do Governo português (1,2%).

O INE explica que por trás da aceleração sentida no final do ano está um maior contributo da procura interna. Isto é, uma recuperação do investimento - que, segundo as palavras do INE, parece finalmente ter recuperado - e um "crescimento mais intenso" do consumo das famílias. A vertente externa (exportações subtraídas de importações) deram um contributo negativo para o crescimento, o que reflecte o crescimento mais forte das importações do que das exportações.

Quando a comparação é feita com o trimestre anterior, verifica-se que o PIB aumentou 0,6%. Uma variação em cadeia forte, embora inferior ao registado no terceiro trimestre (0,8%), que já tinha surpreendido pela positiva. O crescimento em cadeia nos últimos três meses do ano deveu-se essencialmente a mais investimento.

O crescimento de 1,4% na totalidade do ano superou as previsões de Bruxelas, mas também dos economistas. Em média os especialistas contactados pela Lusa esperavam uma variação anual de 1,3%, sendo que só um deles - o ISEG - antecipava os 1,4%. O instituto justificava a sua previsão e a aceleração no final do ano com o facto de a economia começar "a responder a um conjunto de medidas que tinham sido tomadas" pelo Governo, como o fim faseado dos cortes salariais na Função Pública.

A economia portuguesa apresenta, assim, dois trimestres consecutivos de crescimento sólido, depois de um primeiro semestre desapontante. O dinamismo na segunda metade de 2016 tem importância não apenas para esse ano, mas também daqui para a frente. As previsões da Comissão Europeia, por exemplo, mostram que a aceleração da actividade se manterá na primeira metade de 2017, com crescimentos homólogos de 2% em cada um desses dois trimestres, seguindo-se um arrefecimento.

Um final de ano mais forte tem impacto na vida das famílias e das empresas e dá também uma ajuda às contas públicas. Como o défice orçamental é calculado em percentagem do produto interno bruto, um PIB mais robusto pode significar um rácio de défice mais baixo (embora, neste caso, a diferença não pareça ser muito significativa).

Importa, contudo, lembrar que o objectivo original de crescimento que o Executivo tinha definido no Orçamento do Estado era 1,8%, tendo só no final do ano revisto esse valor em baixa. O crescimento de 1,4% fica também aquém dos 1,6% de 2015.

Jornal de Negócios, 02/02/2016