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A economia do conjunto dos países africanos deverá expandir-se este ano

É de sinal positivo a perspetiva do BAD para os próximos dois anos em África, ainda que os desempenhos económicos dos 54 países observados no relatório agora conhecido sejam desiguais.

“Em 2017 e 2018, África vai beneficiar dos preços das matérias-primas, que começaram a subir no final de 2016, do aumento da procura interna privada, gestão melhorada das políticas macroeconómicas já assimilada em muitos países, um ambiente de negócios favorável e a melhorar e uma estrutura económica mais diversificada, particularmente nos sectores dos serviços e da manufatura leve”, anotam os relatores.

O documento sublinha que, em 2016, “o desempenho do continente foi desigual” em matéria de “indicadores económicos, sociais e de governação”. Todavia, para 2017 e o ano seguinte, “as perspetivas são favoráveis”.

O fraco desempenho de 2016 é atribuído, no relatório do BAD, “aos preços baixos das matérias-primas, ao desempenho fraco da economia global, a desaceleração gradual no crescimento chinês e aos efeitos indiretos da Primavera Árabe, amplificados pelo conflito prolongado na Líbia”.

Países exportadores de matérias-primas, entre os quais Angola e Guiné Equatorial, “enfrentaram um ano difícil”. Outros Estados puderam, em contraponto, apresentar crescimentos económicos e cimentar evoluções de anos anteriores.

Espera-se que o financiamento externo apresente um crescimento ligeiro, de 177,7 mil milhões de dólares no ano passado para 179,7 mil milhões de dólares em 2017. As maiores fontes de financiamento continuarão a ser o investimento direto estrangeiro, calculado em 57,5 mil milhões de dólares este ano, e as remessas de emigrantes, que deverão perfazer 66,2 mil milhões de dólares.

Os relatores referem três fatores essenciais para acautelar o desenvolvimento do continente africano: “África deve primeiro diversificar as exportações para reduzir a exposição aos choques de preços das matérias-primas, depois deve conseguir melhor aproveitar a capacidade do comércio intra-África e, por último, os governos devem focar-se em fazer andar as iniciativas de integração regional”.

Quanto aos Estados que integram a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), só a Guiné Equatorial tem por diante a perspetiva de prolongamento da recessão.

RTP, 22/05/2017